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Quarta-feira, Novembro 10, 2004

E quem disse que seria fácil?

injetado por Vanessa Marques às 8:44 PM
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Segunda-feira, Setembro 20, 2004

Enfim, aconteceu!



O site já tem bastante conteúdo, e as atualizações serão religiosamente diárias! Se quiserem ler o que eu escrevi, tem texto meu em "Receita Médica" (o editorial da semana) e "Contra-Indicação" (onde eu destilei meu ódio contra os hipocondríacos...). Fora isso ainda tem textos incríveis do Bucha e do Costela, além de outras coisas que vão entrar no ar ainda hoje. Apareça!


injetado por Vanessa Marques às 10:00 AM
Pitacos:


Segunda-feira, Setembro 13, 2004

A Fama

Certas coisas são inevitáveis. Eu sempre soube que acabaria meus dias com os bolsos cheios de dinheiro, cercada por fãs afoitos e perdidamente apaixonados. No entanto, a grande dúvida era qual dos meus talentos deveria ser usado para alcançar o apogeu da maneira mais rápida e limpa. De repente, numa noite nublada de setembro, fez-se a luz diante de meus olhos: minha missão na Terra consiste em transformar a flauta peruana no instrumento mais popular de todos os tempos. Para isso, eu preciso de uma banda pop, muito pop. A primeira pessoa que veio à minha mente foi a Madonna, dado seu vigor e postura altamente sexy nos palcos. Como ela não pode aceitar o convite por estar com a agenda lotada, recrutei substitutos à altura. Assim nasceram...

Los Flautistas Malditos
los reis de la canalieta!



E eis o flyer de divulgação. En la sequencia: Fabiana Hermosa, Klein Cucaracha, Vanessita de las Lhamas, Xandón de las Cervezas e Silvia de los Tragos Malditos.


Contatos para shows, favor utilizar a caixa de comentários deste blog. Nossas apresentações serão invariavelmente em modo playback, já que ainda não aprendemos como executar as coreografias e tocar o instrumento (no bom sentido) ao mesmo tempo.


injetado por Vanessa Marques às 4:34 PM
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Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Constatação

Se eu tivesse um saco, eu diria que agora - neste exato momento - ele está cheio.


injetado por Vanessa Marques às 7:02 PM
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Segunda-feira, Agosto 09, 2004

O Frio, as Malas e o Chá de Coca

Você arruma suas malas, chegaram as férias. Alegria, passagens compradas, protetor solar, aquela coisa toda. "Acho que vou levar uma bermudinha", pensei. "E uma regatinha também, vai saber como é o tempo por aquelas bandas". E a mochila, que já não é a coisa mais espaçosa do mundo, vai ficando abarrotada de coisas. Par de pilhas extras, perfume, cinto, tesourinha, sal de frutas, colarzinho e mais uma interminável lista de itens aceitáveis. Aceitáveis? Nem tanto. Eu estava indo para a Bolívia, afinal de contas. Na Bolívia, tudo além da roupa do corpo deixa de ser aceitável. É perigoso voltar de lá até sem a tatuagem, se bobear.

Eis que você chega na tal cidade de La Paz, que de paz não tem nada. É um caos monstruoso, uma gritaria ensurdecedora. A criançada pelas ruas tenta vender de tudo, até as unhas cortadas que encontram nos cestos de lixo das manicures. No meio da tarde, você sente um vento gelado soprando sobre suas orelhas e lembra daquela bermuda com regatinha ocupando lugares preciosos na sua mala. Frio, muito frio. O altiplano não lembra em nada os trópicos. O passo mais consciente é comprar uma fedida blusa de alpaca nos camelôs e deixar as vestes de verão esquecidas em algum lugar do hotel, para liberar a bagagem. Paciência. Ou então não se sinta constrangido em viajar pela América do Sul carregando uma sacolinha do Carrefour com meia dúzia de cuecas que não cabem na mala.

O frio, ainda que você vista a blusa de lã de porco - para feder daquele jeito, só pode ter saído de um chiqueiro - é praticamente insustentável. Aqui começam as recomendações: "Tome um chá de coca para esquentar". Você toma, não adianta nada. No dia seguinte, depois de saborear um "pollo con papas" em alguma barraquinha de rua, bate aquela dor de estômago. Basta que percebam seu semblante pálido para que o conselho surja novamente: "Tome um chá de coca para melhorar". Você toma, não adianta nada. Dor de cabeça? Chá de coca. Depressão pós-parto? Chá de coca. Saudades de casa? Chá de coca. E assim por diante. Chá de coca serve até para fratura exposta, pelo visto.

E não posso falar em fratura exposta sem citar as famosas revoluções peruanas. Mas isso é assunto para um texto inteiro, e não para um parágrafo. Fica para a próxima.


injetado por Vanessa Marques às 9:41 AM
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Sexta-feira, Julho 30, 2004

O Mal das Altitudes

Eis que estou aqui, esmagada por avalanches de coisas a fazer, mas com uma vontade incontrolável de registrar algumas palavras. Nem sei direito o que vou dizer, mas o fato é que algum poder obscuro fez com que eu digitasse aqui meu usuário e senha para derramar alguma coisa desimportante neste semi-morto blog. Amanhã é o último dia para entregar minha monografia da pós-graduação, mas quem se importa? Eu sempre deixo tudo para a última hora, mesmo. Não vou quebrar esta tradição justamente agora.

Mas, antes de começar, deixe-me esclarecer alguns pontos: blog-diário-de-menina é uma coisa que ninguém aguenta. Pára tudo. Vê se eu tenho cara de quem vai sair por aí contando sobre paquerinhas, baladinhas e sorvetes de chocolate? Nem pensar. Este é um blog macho, ainda que eu não seja. Sendo assim, vou falar de cachaça, futebol, carro e o famoso mal das altitudes.

Vamos começar por este último, obviamente. O mal das altitudes é uma coisa estranha que acontece com a cabeça das pessoas quando elas chegam de repente em lugares muito altos, onde o oxigênio é escasso. O mal das altitudes não pôde ser comprovado cientificamente por esta que vos escreve. Eu saí de São Paulo e fui direto a La Paz, o que significa que desci do avião a 4.100m de altura (não que eu tenha me jogado lá de cima, compreendam). A única coisa que eu senti foi um frio dos infernos. Ô terra gelada, viu? Posso até estar alucinando, mas acho que senti uns floquinhos de neve sobre minha touca logo que botei a cabeça para fora do aeroporto. Mas, como já disse, não descarto a hipótese de delírio.

Vi algumas pessoas passarem muito mal. Conheci gente que teve até que se desfazer de alguns órgão danificados para continuar a viagem. Na Bolívia, no entanto, isso não é problema. O tráfico de pulmões e rins rola solto em qualquer camelô do centro de La Paz. Você chega lá, deixa seu material orgânico danificado e leva para casa um colarzinho de miçangas semi-novo. Eles fazem uma recauchutagem rápida dos tecidos e revendem tudo para a África do Sul, em operações rápidas e rasteiras. Este poderia ser considerado um serviço limpo, mas os bolivianos não costumam lavar as mãos com muita frequência.

Um garoto de São Paulo chegou ao hotel imundo onde estávamos hospedados e desandou a sofrer com alucinações durante toda a noite. Viu elefantinho rosa, carneiro de cinco cabeças, bexigas amarelas com a logomarca do Banco do Brasil e até uma foto do Che Guevara pregada na parede. A polícia local levantou várias hipóteses, a saber:

- era uma vítima do lendário mal das altitudes, também conhecido como soroche;
- o moleque entrou em parafuso com o cheiro de detefom dos lençóis;
- havia mesmo um elefante rosa hospedado em um dos quartos e uma foto do che guevara pendurada na parede, mas ninguém sabe explicar de onde saíram os balões com o merchandising do banco.

Obviamente, os habitantes aproveitam-se do "mito soroche". Ainda que ele não exista, inventaram pílulas para acabar com seus piores sintomas. Cada comprimido custa uma nota preta, algo em torno de R$ 0,50. Não se passa de um pedacinho de melhoral infantil escondido no meio de uma massaroca de fermento para bolo. Eu preferi gastar meus pesos bolivianos em chocolates vencidos que os ambulantes vendem a preço de banana. Não deixe de comprar um saboroso Toblerone velho por alguma pechincha em torno de R$ 1,00.

O soroche, tal qual o futebol, é uma caixinha de surpresas. Apesar de não ter visto nenhum monstro coreano rondando minhas orelhas, confesso que senti um cansaço inacreditável após subir três lances de escadas com minha mochila cargueira nas costas. Dias depois da chegada, quando alcancei o topo da Montanha Chacaltaya - algo em torno de 5400m - senti uma dor de cabeça pior do que dor de corno (e olha que eu conheço bem a maldita). Mas o soroche em si, aquela coisa toda que dizem mesclar o estômago ao intestino formando um terceiro órgão todo esquisito, ah, essa farofada não existe, não.


injetado por Vanessa Marques às 12:19 AM
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Segunda-feira, Julho 26, 2004

Voltei

É, acabou. E foi incrível. Alguém aí tá indo para a Grécia? Preciso de uma carona.


injetado por Vanessa Marques às 6:51 PM
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Terça-feira, Julho 13, 2004

Machu Pichu!

Ontem conheci Machu Pichu. Nao existem fotos ou palavras que possam expressar com exatidao o que significa aquele lugar. As dimensoes espetaculares, a altura das montanhas e o conhecimento inca impregnado em cada uma de suas pedras nao sao perceptíveis por livros, filmes ou imagens. Machu Pichu é uma cidade fabulosa e belíssima. Adentrar ao parque e avistar pessoalmente a tao conhecida imagem dos cartoes postais chega a ser emocionante. O caro ingresso justifica-se pela preservaçao impecável de todo o parque: nao é possível partir de Cuzco rumo à Machu Pichu por menos de 50 dólares (se você fizer tudo por conta própria, já que em uma agência de turismo a brincadeira sai em torno de 100 doletas). Caro, muito caro, levando-se em conta que as duas cidades sao bastante próximas. Vale o custo, vale a pena, vale tudo. Todo o Vale Sagrado Peruano constitui uma experiência única. Nao é possível descrever, desisto.

Estarei em Arequipa até o fim da semana, onde subirei ao topo do vulcao Misti e conhecerei o Cânion del Colca, um dos mais profundos do mundo, onde é possível avistar o vôo dos condores ao amanhecer. E ainda tem Nazca, Ica, Pisco, Lima e... Sao Paulo - nhé! Dentro de doze dias estarei de volta, com a bagagem pesadíssima de histórias para contar.


injetado por Vanessa Marques às 2:35 PM
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Terça-feira, Julho 06, 2004

4 Minutos

É o tempo que me resta neste cyber café aqui em La Paz, minha última parada internética na capital boliviana. Hoje subi até o topo da estaçao de esqui mais alta do mundo, Chacaltaya, a 5400 metros de altitude. Um lugar fantástico. Conheci também o Vale de La Luna. Existem pessoas do mundo todo circulando por aqui, e os mochileiros sao sempre simpaticíssimos. Uma observaçao importante - os gregos sao lindíssimos e bem-humorados. Agora preciso juntar dinheiro para passar as férias na Grécia... E, de preferência, casar e fixar residência por aquelas bandas.

Passei por lugares maravilhosos, mas nao vai dar tempo de contar tudo agora. Meus minutinhos preciosos estao acabando. Na volta, vou transformar as maiores pérolas do meu diário em papel para contos que serao publicados aqui no blog. A Bolívia é fabulosa, dona de um caos deslumbrante. Estou juntando idéias.

Hasta la próxima parada!


injetado por Vanessa Marques às 8:33 PM
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Domingo, Julho 04, 2004

Eu Estou na Bolívia!
nao sei onde enfiaram o til neste teclado maldito...

La Paz é uma cidade esquisita. Um vale gigantesco com milhares de casinhas mal acabadas e algumas construçoes muito antigas. Encontrei os jogadores da seleçao de futebol da Bolívia no aeropuerto de Santa Cruz. Os caras sao ídolos nacionais: pessoas correndo atrás, agarrando, pedindo autógrafos. Fora isso, participei de um evento muito bizarro da Coca-Cola, patrocinadora da dita seleçao. Ganhei até um apito colorido e uma garrafa do refrigerante. Até aqui, tudo sob controle. É um lugar interessante. E a viagem promete.


injetado por Vanessa Marques às 10:45 AM
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Sexta-feira, Junho 25, 2004

Spammers dos Infernos

Por culpa dos spammers malditos, abandonei por tempo indeterminado a minha conta do Bol (indicada ao lado, na coluna da esquerda). Sendo assim, se você quiser me contar um causo, chorar as mágoas, fazer uma declaração de amor ou trocar receitas incrementadas de miojo, use um dos endereços abaixo:

vanessa(insira aqui a arroba)morfina.com.br

ou

vanessamarques(insira aqui a arroba)gmail.com

Só não envie piadas velhas, correntes sobre roubo de rins e arquivos de Power Point com fotos de cachorrinhos, por misericórdia.


injetado por Vanessa Marques às 3:49 PM
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Quinta-feira, Junho 24, 2004

Lembrei a Senha!

É, devo confessar que a minha tentativa em abraçar o mundo não deu muito certo. Acabei metendo os pés pelas mãos e cheguei até a fazer terrorismo contra um mendigo em troca de uma coxinha. Passei a disputar vagas de estacionamento na rua como quem luta para salvar a própria vida. Briguei com uma mulher no caixa do supermercado numa disputa pelo último pirocóptero à venda, raspei a cabeça em sinal de protesto, bati um carro no poste depois de salvar a vida de uma bêbada e ainda por cima ganhei um olho roxo por motivos que a ciência médica não explica. A coisa ficou feia, literalmente. E boa parte das peripécias que acabei de narrar são verdadeiras.

O balanço do meu primeiro semestre de 2004 é tenebroso. A questão não é a simples falta de tempo, é a falta de capacidade para lidar com muitas situações diferentes simultaneamente. Escrevi monografias ruins para a pós-graduação, fiz trabalhos ruins para o meu próprio trabalho, não estudei para as provas de inglês e não consegui preparar minhas aulas como deveria. Em suma, não fiz nada direito. Tropecei, caí na lama e os porcos ainda lamberam minha bunda. Foi o caos, e na verdade ainda está sendo, já que não acabou. Ainda tem uns urubus aqui me cercando atrás de um pedaço de carniça.

Não estava nos meus planos abandonar o blog e muito menos deixar de lado o hábito de escrever, já que isso me dá prazer. Acontece que entrei num círculo vicioso em que a improdutividade impera acima das minhas vontades. Isso me lembra muito um episódio dos Simpsons em que o Hommer arruma dois trabalhos, um durante o dia e outro durante a noite, e acaba dormindo nos dois. É mais ou menos por aí: eu sinto sono 24 horas por dia.

Mas então, voltando à vaca fria, eu terei férias agora em julho! Férias gerais, totais! Férias do meu carro, do cachorro, dos alunos, do chefe, das professoras, do meu toca-fitas, deste Macintosh sacripanta que vive travando, enfim, de TUDO. E como eu prezo muito a filosofia de que a vida só vale a pena se tivermos histórias para contar, decidi passar 21 dias viajando entre a Bolívia e o Peru, sendo que o destino principal da viagem é Machu Picchu. Isso mesmo, eu gosto de me meter em uma fria. Lá vou eu para um lugar onde as pessoas usam blusas multicoloridas feitas de pêlos de ovelhas que rolam na merda. Não sei se esses animais são tão imundos assim, mas o fato é que aquele material fede em demasia. A Bolívia é um dos países que tem a água mais contaminada do mundo, além de índias gordas que levantam a saia para fazer xixi na sarjeta, ao lado dos carros que trafegam.

Como se tudo isso fosse insuficiente, no Peru certamente encontrarei os abomináveis flautistas peruanos, sujeitos que tocam músicas irritantes e vendem cds caseiros ali nas redondezas da Praça da República. Pois é, lá é o país de origem deles, o lugar que exporta aquelas pragas para todos os outros lugares do planeta.

Estou indo para recantos sujos e paupérrimos, com comidas mais perigosas do que granadas em tempos de guerra, hospedarias nefastas e o pior: vou gostar de tudo e ficar triste na hora de vir embora. Paradoxamente, aqui em San Pablo eu reclamo até por aguentar meros dez minutos de trânsito todos os dias na Vila Mariana. Vai entender.

Então é assim, ó: dia 03, sábado da próxima semana, pegarei um vôo para La Paz. Dia 25 retornarei de Lima para São Paulo. É claro que vou me refugiar nuns cybercafés no meio do caminho, afinal de contas uma nerd como eu não tem como passar mais do que alguns dias afastada do vício. Preciso checar minhas quatorze contas de e-mail, verificar se tenho muitos novos amigos no Orkut e coisas do tipo. Além disso, pretendo pendurar aqui alguns boletins sobre a viagem. Com os destinos que escolhi, certamente arrumarei muita história para contar... Ainda mais com meu instinto magnético a situações que envolvam galhofas e afins.

Desejem-me boa viagem! E sorte, muita sorte!


injetado por Vanessa Marques às 6:07 PM
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Terça-feira, Junho 01, 2004

Blergh!

Há cerca de dois meses, escrevi um post sobre as questões que envolvem a (falta de) qualidade de vida. Se ele já sumiu desta página, deve estar nos arquivos de março. Pois então, eis que cheguei ao limite de uma vida capenga. Estou um bagaço, um sabugo velho, um urubu depenado. Sempre morrendo de sono, consumindo alimentos que cheiram a plástico e sem pique ou ânimo para fazer as coisas que devo - assim como para fazer as coisas que quero. É, preciso muito de férias. Faltam quatro ou cinco semanas para que as benditas cheguem, no entanto. Não sei se é muito ou pouco, pois já perdi inclusive a noção do tempo, que foi embora de mãos dadas com a minha sanidade. Fiquei parada por duas horas no trânsito e tive a impressão de ter passado quatro dias trancafiada no porta-malas do carro. Está decidido: eu quero ser hippie, morar em Itacaré e fazer presilhas de durepoxi para vender na praia. Chega dessa história de dois empregos, duas escolas e compromissos "sociais", por assim dizer.

Então é isso. Este parágrafo é só para dizer que eu ando estressada e sem paciência. Assim que eu inspirar e sentir oxigênio nos pulmões, a gente volta a conversar. A natureza anda me sacaneando com doses cavalares de gás carbônico.


injetado por Vanessa Marques às 9:24 AM
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Terça-feira, Maio 18, 2004

Cadeia de Palavras

Nos últimos dias não passei por aqui, como vocês devem ter percebido. Mas eu estou lá, encarcerada. Dêem uma olhada no projeto, que é bem bacana. O capítulo que está no ar, de minha autoria, é o terceiro. Ah! E não se esqueçam de ler os dois primeiros, pois é essencial para seguir a ordem correta da história. Comentem lá e aqui também, ok? Na Cadeia existem critérios para comentar, mas aqui vocês podem escrever piadinhas, letras de música e impropérios. As portas continuam abertas.

E já, já eu volto. Porque eu tento ir embora, mas acabo voltando porque morro de saudades.


injetado por Vanessa Marques às 5:04 PM
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Terça-feira, Maio 11, 2004

Querido Diário,

Antes de tudo, esqueci o que eu ia lhe contar. Esqueci mesmo. Esqueci a ponto de não lembrar, definitivamente. Em seguida, esqueci que você existia. A informação foi sumariamente excluída da minha mente. Por último, esqueci a senha do cadeado que trancava seus segredos. Eis que, no meio de tantas lacunas, senti-me livre. E livre, saí voando por aí. Encontrei no ar uma certa liberdade, um tanto saborosa, vinda por saber que minha vida seria apenas minha, enfim. Porque sempre, por mais que eu tente evitar, acontecem coisas implubicáveis do lado de cá. Por mais claustrofóbicos que sejam meus dias, eles são grandes o suficiente para comportar alguns abusos. Deslizes, como nós sabemos, são essenciais aos pulmões, à corrente sanguínea.

Mas, como nem tudo dura para sempre e tampouco o sempre existe, encontrei sua chave no bolso de um casaco velho. Tateei o tecido procurando algun dinheiro esquecido e... Bem, a dita ali estava. Como consequência, cá estou novamente. No entanto, como era de se esperar, vou esconder de suas páginas brancas os meus momentos secretos. Agora, só mentiras. Daqui em diante, imploro que não acredite em mais nada daquilo que digo. Porque assim quero, e inevitavelmente será.


injetado por Vanessa Marques às 10:56 PM
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